História

Quando A Rainha D. Leonor, viúva de D. João II, instituiu em Agosto de 1498 a Misericórdia de Lisboa – a primeira a que se fundou em Portugal – estava, talvez, muito longe de supor que a sua grande obra de caridade cristã e de levantado amor do próximo, seria tão rapidamente imitada e tão rapidamente se viria a espalhar.

Efectivamente , tal exemplo começou a ser seguido, cabendo a algumas terras do distrito de Portalegre o bem merecido louvor de serem das primeiras a instituírem as suas misericórdias, como Cabeço de Vide, no mesmo ano da de Lisboa, em 1500 e Elvas em 1503.

Não figura a misericórdia de Amieira no livro de Costa Goodolphim, às misericórdias consagrado; todavia, pode dizer-se que ela, não sendo, muito embora, das primeiras, é também das mais antigas do país, pois assim é licito supor-se pela data de 1554, aberta na cantaria da porta de entrada da sua capela, por cima da legenda NÕ MEMINI MIÃM PERIISSE, capela por certo edificada já depois de constituída a Irmandade.

Outro documento de autenticidade indiscutível para se fixar a data dos seus princípios é a campainha com que, atrás da respectiva bendeira, se acompanhavam os enterros, a qual data de 1550.

16 de outubro de 1614 foi concedido alvará à Santa Casa da Misericórdia de Amieira do Tejo para usar do compromisso e dos privilégios da Misericórdia de Lisboa.

Infelizmente, não é possível hoje conhecer-se a história dos primeiros tempos da Misericórdia de Amieira, quem a fundou e em que data, e com que recursos foi instituída, pois que, figurando ainda em um inventario de 1715 a existência de 16livros de têrmos, eleições, arrematações, etc., só existem agora seis, alguns dos quais incompletos, sendo de 1611 o mais antigo.

A Mesa Administrativa para 1611-1612 é composta por: Provedor, Pero Marques Vieira; escrivão, António de Góis Leborão; tesoureiro, Bastião Mandeiro; irmãos, António Fernandes, Bráz Mendes, António de Góis, Diogo Roiz, sapateiro André Dias Curado, Bráz Afonso da Ribeira, Siprião Lopes, André Feio, o moço: Vasqueanes e Simão Gonçalves Ramalho .

O que parece certo, é que em dada altura os recursos financeiros não lhe permitia uma vida desafogada, e tanto que o Rei D. João IV, por solicitação dos oficiais da Câmara, fez merce à Misericórdia da Capela e bens da Nossa Senhora da Sanguinheira, com a obrigação de ela cumprir os encargos que a esta pertenciam

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História da Santa Casa da Misericórdia de Amieira do Tejo

A ideia nasceu lá atrás, entre murmúrios de piedade e espírito de cuidado: a Rainha D. Leonor, viúva do rei D. João II, inspirou a criação da primeira Misericórdia de Lisboa em 1498 — uma ideia tão vanguardista que parecia quase uma ONG (Organização Não Governamental). Essa faísca acendeu outras Misericórdias e, por volta dos anos 1530 (século XVI), lá está a nossa em Amieira do Tejo, sinal de que a terra também tinha o seu coração.

Sabes quando um sítio tem presença? Este é um deles. Em 1550 ergueu-se a Capela da Misericórdia — reforçando que isto só ia crescer e durar.

Com o passar dos séculos, foi crescendo cuidado por quem mais precisa. Saltamos para 1980: a Santa Casa inaugura o Centro de Dia para estar perto de quem precisa, logo seguido, em 1997, do Serviço de Apoio Domiciliário (SAD) — ideais que nascem da necessidade de manter os idosos em casa, na sua terra e nas suas raízes.

E porque situação lá longe nem sempre rima com saudade, em 2010 foi inaugurada a primeira fase do Lar de Idosos, com capacidade para 27 utentes, seguida da segunda fase em 2011 — para garantir que quem cresceu aqui possa envelhecer em dignidade e rodeado pelo que conhece.

Hoje, essas valências estão todas em funcionamento: ERPI, Centro de Dia e Apoio Domiciliário — respostas essenciais, vivas e que mantém a Misericórdia no pulso da comunidade.


Provedores que marcaram a diferença

  • Arménio Pestana Miguens: Este homem não teve tempo só para o estatuto — liderou a instituição entre 2002 e 2013 e foi homenageado em 12 de setembro como “irmão honorário”. Simplificando: não fez nada de especial, disse ele, mas puxou da coragem e liderou com os pés bem assentes.

  • David Esteves: foi quem agarrou novos desafios como o CLDS-4G “éNisa éCoesão”, um projeto social que visa aumentar coesão no concelho de Nisa, criando emprego, apostando no envelhecimento ativo e na luta contra a pobreza infantil. “Quando estamos diante de um desafio, agarramo-lo”, disse, com uma força de quem não foge à luta.

  • Por fim, António Matos, uma equipa que não brinca em serviço — para garantir que quem manda também sabe bem o que faz.

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